Domingo, Maio 09, 2004
E numa noite fria...
Ele me acordou no meio da noite, com um telefonema inesperado e muito bem-vindo. O sangue correu ainda mais quente pelas veias ao ouvir sua voz. Cortejou-me e, com uma proposta indecorosa, me fez levantar da cama.
Fui ao banheiro, lavei o rosto demoradamente. Em quarenta minutos ele chegaria para me raptar. Mais uma vez. Enxuguei as gotas de água que caíram no colo, soltei os cabelos e fui andando, com passos leves, para o quarto. Quem dormia na sala não podia desconfiar de nada.
Abotoei meu jeans e vesti uma blusa leve e transparente. Apenas a madrugada disfarçava meu seio nu sob o pano fino. Peguei minhas chaves, com o cuidado de não fazer o menor ruído, tranquei a porta e fui esperar no jardim.
O vento fresco me deixou extasiada. Me senti a própria Mulan em suas buscas pela liberdade. Avistei, ao longe, o farol de seu carro e fui andando em sua direção como um vampiro em busca de sua presa, com a certeza de que nada, absolutamente nada, iria me escapar.
Ele desceu do carro e abriu a porta para mim. Um verdadeiro gentleman. Antes que eu entrasse, susurrou palavras doces e cálidas. Seu corpo, encostado no meu, exalava um perfume que se misturava ao das árvores e incensos exóticos que o caseiro havia espalhado pelo jardim anteriormente. Estremeci. O corpo ficou amolecido e os sentidos aguçados. Deixei que me beijasse. Uma e várias outras vezes, enquanto passava a mão sobre meus seios, ainda cobertos pela blusa. Sentir a precisão de seus dedos e a maciez da seda era delicioso. Era hora de me entregar mais uma vez...
Escolhemos um local da fazenda. Nosso pequeno paraíso, atrás de um discreto morro. Entre nós e a Deusa, apenas um cobertor de casal. Ela, a Terra, era nossa única e mais fiel testemunha.
Apaixonados, amanhecemos o dia ali. Nus, cobertos de sereno e suor... era a luxúria saindo dos poros. Mas não podíamos ficar ali para sempre. Hora de voltar à realidade...
Deixar ir meu querido amante e voltar para casa, com o mesmo cuidado da saída, para não acordar o namorado que ainda dormia na sala...
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